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Diversidade no trabalho: homens e mulheres cada mais trabalhando no mesmo ambiente

09/11/2018   Fonte: Administradores


A execução do trabalho é a atividade do trabalhador; é a atividade do ser humano e parte essencial da humanidade. Ela não tem lógica. Tem dinâmica e dimensões. A execução do trabalho tem ao menos cinco dimensões. Em todas elas, o trabalhador precisa realizar para ser produtivo.

O trabalho é vínculo social e vínculo comunitário. Na sociedade de empregados, o trabalho se torna acesso básico á sociedade e á comunidade. Em grande parte, determina o status. Quando alguém diz "eu sou médico", "eu sou encanador", está fazendo uma afirmação importante. Indica sua posição na sociedade e seu papel na comunidade.

Talvez mais importante, o trabalho, desde tempos imemoriais, tem sido um meio de satisfazer às nossas necessidades de pertencer a um grupo e de manter relacionamentos significativos com outras pessoas. Ao dizer que o homem é um zoom politikon, ou seja, um animal social, Aristóteles estava afirmando, com efeito, que precisamos do trabalho para atender às necessidades comunitárias.

Decerto, em poucos casos, as funções sociais e comunitárias das pessoas são determinadas exclusivamente pelo e por meio do grupo de trabalho a que pertencem. A maioria das pessoas também pertence a outras sociedades e comunidades. Não é de modo algum raro encontrar alguém que se situa em escalões inferiores no grupo de trabalho mas que ocupa posição de destaque em outros meios, como o engenheiro obscuro que é importante na tropa de escoteiros ou na igreja, por exemplo. Porém, mesmo nesses casos, o trabalho ainda proporcionará boa parte dos relacionamentos, da identificação grupal e dos vínculos sociais.

Para a maioria das pessoas, o trabalho é o principal vínculo fora do pequeno grupo familiar - não raro, mais importante que a família, especialmente para a o jovem ainda solteiro e para as pessoas mais velhas, cujos filhos cresceram. Exemplo típico é a experiência de empresas que contratam mulheres maduras. O local de trabalho se transforma em sua comunidade, em seu clube social e em meio de escapar da solidão, com os maridos nos próprios trabalhos e os filhos vivendo a própria vida.

A Bell Telephone Company, por exemplo, chegou a ter muitas empregadas que deixaram o emprego para cuidar da família, mas que, muitos anos depois, de novo se tornaram disponíveis para o trabalho em tempo parcial. Elas são contratadas durante os picos de atividade, sobretudo em trabalhos financeiros de grande escala, como novas emissões de ações ou de bônus, distribuição de dividendos, relatórios anuais e assim por diante. O trabalho, quando disponível, geralmente é intenso e pressionado, as jornadas são longas e a remuneração nada tem de excepcional. No entanto, a competição por um lugar é intensa, e o moral do grupo, excepcionalmente alto. Quando, por alguma razão, passam-se alguns meses sem essas oportunidades, as mulheres começam a telefonar e a perguntar: 'quando poderei voltar? Quero ver minhas amigas; quero saber o que estão fazendo, estou com saudade delas.".

Da mesma maneira, todas as empresas que fizeram pesquisas entre os empregados constataram a mesma reação. "sentimos falta não do trabalho em si, mas dos colegas e dos amigos.". "O que queremos saber não é como está a empresa, mas sim, o que estão fazendo as pessoas com quem trabalhávamos, por onde andam e como estão passando.". "Por favor, não me enviem o relatória anual", chegou a dizer uma vez o vice-presidente sênior aposentado em vendas. Enviem-me as fofocas. Sinto falta até das pessoas que eu não suportava.".

Este último comentário põe o dedo na maior força do vínculo do trabalho e em sua vantagem única, em comparação com todos os outros liame comunitários. Ele não envolve necessariamente as preferências e as aversões das pessoas. Pode funcionar sem fazer exigências emocionais. Pode-se trabalhar muito bem com alguém que nunca vê fora do ambiente de trabalho e por quem não se sente nem amizade, nem carinho, nem afeição. Pode-se até atuar muito bem em um relacionamento de trabalho com alguém de que se desgosta com cordialidade - desde que se respeitem as qualificações e a capacidade do colega. Mas o trabalhador também pode ser amigo íntimo, com quem se compartilha boa parte da vida. O relacionamento de trabalho tem um objetivo, um foco externo: o trabalho em si. Ele possibilita fortes vínculos sociais e comunitários, tão pessoais ou impessoais quanto se desejar.

Isso talvez explique por que, durante toda a história da humanidade e, acima de tudo, entre os povos primitivos, os grupos de trabalho sempre se diferenciaram por gênero. Os homens trabalham juntos e as mulheres trabalham juntas, mas raramente se toma conhecimento, na história ou na antropologia cultural, de grupos de trabalho que misturassem os sexos. Os homens caçam e as mulheres cuidam da tribo. Os homens constroem canoas e as mulheres cuidam das plantações. Na Europa, as mulheres, em geral, cuidavam da ordenha; na América, os homens; mas raramente, em qualquer dos lados do Atlântico, essas atividades foram executadas por grupos mistos, de ambos os sexos. O fato de, nas sociedades modernas, homens e mulheres trabalharem cada vez mais lado a lado, nos mesmos grupos de trabalho - processo que começou por volta de mil oitocentos e oitenta, quando as máquias de escrever e as mesas telefônicas tiraram as mulheres de casa e das pequenas oficinas e as levaram para as grandes organizações - , representa uma grande mudança social. Portanto, o movimento feminista talvez seja algo muito mais importante que uma reação à desigualdade sexual. Pode ser uma reação ao desaparecimento cada vez mais rápido da segregação secular dos sexos no trabalho. Outras informações podem ser obtidas no livro Fator humano e desempenho, de autoria de Peter F. Drucker.



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